Aposentados em cidade do interior: fama de bons pagadores
Os aposentados costumam aparecer no noticiário de forma muito negativa sempre que um eventual reajuste nos proventos pode aumentar o rombo no caixa da Previdência Social. É como se eles fossem os vilões das finanças nacionais. Um estudo mostra que, em diversas regiões do país, os aposentados são exatamente o oposto: a tábua de salvação de pequenas cidades. O levantamento foi feito pela Associação Nacional dos Fiscais de Contribuições Previdenciárias, Anfip, e aponta que em metade dos 5.507 municípios brasileiros a economia é impulsionada basicamente pelos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, INSS. O fenômeno fica mais evidente nas cidades com até 30.000 habitantes, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Em geral, são localidades sem produção agrícola ou industrial e cujas prefeituras sobrevivem à custa de recursos repassados pelos governos estadual e federal. "Praticamente sem renda própria, muitas cidades só continuam no mapa por causa do dinheirinho dos aposentados", afirma Álvaro Sólon de França, coordenador do estudo.
Se o rendimento dos aposentados é positivo para boa parte dos municípios, não seria adequado aumentar ainda mais seus proventos? Esse reforço não seria um impulso a mais para o desenvolvimento dessas cidades? Talvez fosse, mas entra aí outro dado significativo do estudo da Anfip. Em apenas 8% das cidades brasileiras, o INSS arrecada mais do que paga. Leia-se ao contrário: em 92% dos municípios, o governo recolhe a título de contribuição para a Previdência uma quantia inferior à que gasta pagando pensões. Do jeito que o sistema está montado hoje, é preciso remanejar recursos que poderiam ser usados em saúde e educação para cobrir a diferença. Calcula-se que o rombo na Previdência seja da ordem de 46 bilhões de reais por ano. E essa verba sai sempre do mesmo lugar: do bolso do contribuinte.
http://veja.abril.com.br/290300/p_142.html

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