terça-feira, 16 de abril de 2013

Gostaria de saber se uma mulher pode aposentarse por idade com 60 anos sem contribuicao total de 15 anos com aposentadoria de um salario minimo?


Por Gabriela Guerreiro 

BRASÍLIA, DF, 15 de abril (Folhapress) - Responsável por articular a aprovação do projeto que permite a troca de aposentadoria do trabalhador, conhecido como "desaposentação", o senador Paulo Paim (PT-RS) acusou hoje o governo federal de agir de forma "sem vergonha" para tentar barrar a proposta no Senado. 

O petista disse que integrantes do governo haviam fechado acordo para avalizar a aprovação do projeto, mas recuaram --num gesto classificado por Paim de "maldade". 

O projeto foi aprovado na semana passada pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais) em caráter terminativo, o que lhe permite seguir diretamente para votação na Câmara se nenhum senador apresentar recurso para ser analisado no plenário do Senado. 

Por orientação do Palácio do Planalto, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) começou a colher assinaturas para a apresentação do recurso --ele já tem 5 das 8 assinaturas necessárias. Líder do governo no Senado, Braga deve atingir o número até amanhã. 

A justificativa do governo é que a "desaposentação" vai causar impactos nos cofres da Previdência Social que não podem ser custeados pela União. 

"O senador que quiser colocar o nome em recurso desses, sem vergonha, que coloque. No meu currículo, essa maldade não vai constar. Quem quiser colocar seu nome em processo desqualificado como esse, que assuma. Mas vai romper um acordo", atacou Paim. 

O acordo, segundo o senador, teria sido fechado com o governo antes da votação na CAS. Interlocutores do Palácio do Planalto teriam chegado a sinalizar que deixariam a proposta passar no Senado, sem resistências, para que o debate fosse ampliado na Câmara. 

Paim disse que o recurso tem como objetivo postergar a aprovação do projeto, já que senadores se articulam para apresentar emendas no plenário para que o texto retorne à análise de outras comissões do Senado. 

"Nada de colocar uma emenda aqui para jogar para outra comissão. Dizer que vão faze recurso para o plenário só para enrolar e a matéria não ser votada, não é correto. Então tivessem me dito lá na comissão." 

O senador petista disse ter recebido, de membros do governo, uma contraproposta para substituir o projeto da "desaposentação" --a apresentação de projeto que prevê a devolução do valor pago pelo aposentado no período em que ele estiver novamente trabalhando, sem o recálculo de sua aposentadoria. 

"Eles estão propondo a devolução para todos do correspondente ao que pagou, mas ele terão que dar isso automaticamente para todo mundo. Eu prefiro que se aprove como está, isso vai dar um rolo muito maior para a Previdência", disse o senador. 

Em discurso no plenário, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o Senado dará a "última palavra" sobre a questão, mas não prometeu a Paim acelerar a aprovação do projeto.
 
Desaposentação 

O projeto da "desaposentação" permite ao aposentado que ainda trabalha trocar de benefício, para conseguir receber um valor mais alto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A medida exige a renúncia da aposentadoria da Previdência por parte do segurado. 

Pelo texto, o aposentado que continua trabalhando pode renunciar o benefício a qualquer tempo e solicitar uma nova aposentadoria --o que pode lhe garantir um pagamento maior, devido ao fator previdenciário (índice que reduz a aposentadoria de quem se aposenta cedo). 

A regra vale para trabalhadores que se aposentarem por tempo de contribuição, por idade ou nos casos de aposentadoria especial --válido para quem trabalhou em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. 

O projeto determina o recálculo da aposentadoria considerando todo o tempo de trabalho do segurado --ou seja, somando tanto o tempo usado na primeira aposentadoria quanto aquele após a concessão do primeiro benefício--, assim como direito ao cálculo de nova renda mensal.  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Blog da Previdência Social responde às dúvidas dos Segurados


Gostaria de saber se o INSS ainda convocará assistentes sociais em 2013 que foram aprovadas para analista de seguro social?
O concurso foi prorrogado até o dia 06 de junho de 2013. Os candidatos homologados em 2010 constituem reserva técnica para a convocação em caso de exoneração dos cargos já ocupados.
 Por que a Previdência Social não envia os contracheques e o comprovante de rendimento anual para os aposentados? Não tenho como comprovar minha renda.
Os bancos pagadores dos benefícios da Previdência Social enviaram os extratos do Imposto de Renda de Pessoa Física para aposentados, pensionistas e demais beneficiários em todo o Brasil. O comprovante também foi disponibilizado na primeira página do site do Ministério da Previdência Social. O extrato mensal de pagamentos de benefícios também pode ser obtido no portal.
Tenho 44 anos e comecei a trabalhar desde os 16 anos. O senhor considera justos os critérios de aposentadoria para  quem começou a trabalhar, e a contribuir, tão cedo quanto eu?
O Ministério da Previdência Social tem defendido a necessidade de se encontrar alternativa para a extinção do fator previdenciário.Como o fator previdenciário foi responsável pela economia de R$ 44,3 bilhões desde a sua criação em1999, a Previdência Social descarta a sua exclusão sem a criação de um substituto, em razão da sustentabilidade do sistema previdenciário. Uma das propostas em estudo prevê a idade mínima para quem entrar no mercado de trabalho após a aprovação da lei, e uma regra de transição com uma fórmula que some idade e tempo de contribuição para os atuais trabalhadores.
A informatização do sistema de concessão de benefício é um inibidor em potencial das fraudes na previdência?
O sistema tem mecanismos próprios de segurança, somente podendo ser acessado por servidores credenciados, mediante utilização de senha própria. 
Gostaria de saber por que foi estendido o benefício da aposentadoria ao trabalhador rural por idade sendo que ele nunca contribuiu para o INSS. Não está aí uma falha na arrecadação? É por isso que meu salário de aposentado está com 80% defasado?
Os benefícios previdenciários foram estendidos para os trabalhadores rurais (segurados especiais), reconhecendo seu esforço e melhorando sua condição socioeconômica, evitando, ainda, o êxodo rural, conforme decisão dos constituintes de 1988. Além disso, há também a contribuição para a Previdência Social sempre que aqueles trabalhadores comercializam sua produção rural. Quanto ao valor da aposentadoria do segurado que nos pergunta, esclarecemos que os benefícios de valor acima do salário-mínimo vêm sendo reajustados pelo INPC, preservando-lhes, em caráter permanente, o seu valor real.
 Gostaria de saber quais os pré-requisitos para se conseguir o auxílio- doença?
Para a concessão de auxílio-doença, além da avaliação da perícia médica, é necessária a comprovação de 12 contribuições mensais, sem que o segurado se tenha filiado à Previdência Social já portador da doença alegada para o benefício.É preciso, também, estar com qualidade de segurado. Sobre a perda de qualidade, sugerimos verificar no site da Previdência Social, o seguinte link .
Fonte: Blog Previdência Social

Desaposentação volta a ser discutida entre governo e aposentados


Judicialmente, aposentados que voltaram a trabalhar param de receber pelo INSS e passam a recolher o imposto
Notícia publicada na edição de 15/04/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 004 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Carolina Santana

Conseguida atualmente apenas por via judicial, a desaposentação voltou à pauta na última semana. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou o projeto de lei que permite aos aposentados pelo Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) renunciar a aposentadoria para continuar trabalhando, recolhendo contribuições previdenciárias e, no futuro, ter um benefício de valor mais alto. Para virar lei, a matéria ainda deve ser aprovada na Câmara dos Deputados e seguir para sanção presidencial.

Atualmente, para se ter acesso à desaposentação, os beneficiários do INSS devem ingressar com pedido judicial. De acordo com o procurador federal e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Wagner de Oliveira Pierotti, a questão ainda não está pacificada e o Poder Judiciário está "totalmente dividido" quanto às decisões nos pedidos de desaposentação. "Alguns juizes entendem que é permitido e outros que não. Outros ainda concedem a desaposentação desde que a pessoa devolva todo o valor recebido durante o período que esteve aposentado", comenta o professor. Nesse último caso, o pleiteante pode desistir da ação ou devolver os benefícios.

No Brasil, o Sistema Geral da Previdência Social permite que o trabalhador se aposente por tempo de contribuição ou por idade. Por tempo de contribuição, as mulheres podem aposentar-se depois de 30 anos recolhendo para o INSS e os homens 35. Se a aposentadoria é pleiteada por idade, têm direito ao benefício os trabalhadores urbanos do sexo masculino a partir dos 65 anos e do sexo feminino a partir dos 60 anos de idade. Os trabalhadores rurais podem pedir aposentadoria por idade com cinco anos a menos: a partir dos 60 anos, homens, e a partir dos 55 anos, mulheres.

Para desestimular que as pessoas se aposentem cedo, o governo aplica o Fator Previdenciário. No cálculo do benefício, são levadas em conta a expectativa de vida e a idade de quem pleiteia a aposentadoria por tempo de contribuição. O Fator Previdenciário, em regra, achata o valor da aposentadoria de acordo com a idade do contribuinte. Quanto mais nova a pessoa, maior o Fator Previdenciário e, consequentemente, menor o valor do benefício efetivamente recebido.


Benefício mais vantajoso


Pierotti destaca que na desaposentação, o segurado da Previdência renuncia a aposentadoria para voltar a trabalhar com carteira assinada. "Essa pessoa continua recolhendo para o INSS e com essas novas contribuições pode conseguir um benefício mais vantajoso", afirma o professor. Segundo o próprio governo, a desaposentação pode aumentar em até duas ou três vezes o valor recebido hoje pelos aposentados a depender da contribuição e da idade. Pierotti explica que a via judicial é a única forma de conseguir a desaposentadoria pois não existe legislação prevendo a renúncia da aposentadoria.

Hoje, no Brasil, 500 mil aposentados continuam ativos. Com um rombo de R$ 50 bilhões em 20 anos, de acordo com estimativa do Ministério da Previdência Social, o governo diz não ter posicionamento sobre a matéria, segundo o líder no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM). Sem querer opinar sobre o texto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a Advocacia-Geral da União (AGU), que defende judicialmente o INSS, considera a prática da "desaposentadoria" ilegal da forma como é feita atualmente. Para o diretor substituto do Departamento de Contencioso da Procuradoria-Geral Federal, órgão vinculado à AGU, Gustavo Augusto Freitas de Lima, a Constituição Federal proíbe que seja feita a "desaposentadoria".


Sistema solidário


No Brasil, vigora o sistema previdenciário solidário. Por meio dele, os benefícios dos aposentados são pagos com as contribuições recolhidas dos trabalhadores que estão na ativa. "Na prática, alguns trabalham para pagar a aposentadoria de quem já não trabalha mais", explica o professor. Outra forma de organização previdenciária é a chamada capitalização, em que o benefício do trabalhador deve ser pago com as contribuições pagas por ele próprio ao longo de sua vida profissional.

No sistema de capitalização, a ideia é formar uma poupança para custear o pagamento da futura aposentadoria do trabalhador. "Esse sistema é muito frágil. As pessoas que ganham menos ou que, por algum motivo, não podem continuar trabalhando ao longo da vida são muito prejudicadas", afirma Pierotti. Sobre a aprovação da desaposentação pelo Senado, o professor destaca que pelo trâmite legislativo, a matéria ainda tem que ser aprovada na Câmara dos Deputados e enviada para a sanção da presidente Dilma Rousseff.


Mistura conceitual


Durante a inauguração da agência do INSS na cidade de Piedade, na última sexta-feira, o secretário-executivo da autarquia, Carlos Eduardo Gabas, afirmou que vai trabalhar para esclarecer o Congresso sobre a desaposentação. Destacando que a matéria ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e sancionada pela presidente antes de virar lei, Gabas afirma haver uma confusão conceitual por parte dos legisladores que formularam esse projeto de lei e o aprovaram no Senado.

"O Congresso não pode olhar essa discussão de forma enviesada como está fazendo. O nosso sistema de lei de repartição solidária. O custo da desaposentação é enorme. Vamos migrar para um sistema que não dá conta de atender a sociedade", sentencia. Gabas lembra que a média de vida da população está mais alta. "Se aposentar com 55 anos é muito cedo. Ele continua trabalhando e depois quer recalcular o benefício. Não pode", diz. Fazer o recalculo do benefício considerando contribuições recolhidas após a concessão da aposentadoria, para o secretário-executivo, é misturar o conceito de previdência solidária com a de capitalização.

Saiba quanto ganhar com a troca de aposentadoria

Cálculos levam em conta um segurado que se aposentou com 35 anos de contribuição ao INSS e 55 anos de idade


Cálculos levam em conta um segurado que se aposentou com 35 anos de contribuição ao INSS e 55 anos de idade
 O Agora traz hoje uma tabela com cálculos que mostram quanto o benefício pode aumentar caso o Congresso aprove a troca de aposentadoria do INSS.
A tabela considerou um segurado homem, que pediu o primeiro benefício com 55 anos de idade e 35 anos de contribuição. Ele continuou trabalhando e contribuindo até este ano.
Os cálculos foram elaborados com a colaboração do advogado previdenciário Roberto Carvalho, do site Ieprev.http://www.ieprev.com.br/
Nestas simulações, entre o ano em que recebeu a primeira aposentadoria e 2013, sua média salarial teve o mesmo reajuste dado às aposentadorias acima do salário mínimo pelo governo.
Ou seja, quem começou a receber salários menores depois que se aposentou não se enquadra nos exemplos da tabela.

Fonte: Agora São Paulo

Troca de benefício: Meio milhão esperam pela desaposentação


Projeto foi aprovado no Senado e vai agora para a Câmara dos Deputados

por Francisco Aloise
O Governo Federal está preocupado com a possibilidade de ter que desembolsar cerca de R$ 50 bilhões aos aposentados que continuam no mercado de trabalho, e que poderão fazer a troca de benefício, usando as novas contribuições ao INSS para obter uma aposentadoria melhor.
Existem duas frentes favoráveis aos segurados: o projeto de lei aprovado na semana passada pelo Senado e uma ação judicial que tramita no STF. Ao todo, cerca de 500 mil pessoas aguardam por esse benefício.
Além da preocupação, o Governo também já está preparado para o impacto que a desaposentação vai gerar aos cofres da Previdência Social. Ele deixou previsto no Orçamento da União deste ano, uma verba de R$ 49,1 bilhões para esta finalidade.
O projeto de lei que autoriza troca de uma aposentadoria por outra melhor foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado na última quartafeira. Na prática, o mecanismo permite ao aposentado renunciar à aposentadoria e continuar trabalhando para, em seguida, pedir um recálculo do benefício para uma nova aposentadoria.
Visando garantir ao trabalhador a maior contribuição possível, a proposta pode causar um rombo na Previdência Social e tem preocupado o governo .O projeto é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS).
STF julgará recurso sobre troca de aposentadoria
O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir em breve sobre o direito dos trabalhadores à desaposentação. Tramitam na Corte recursos que tratam da possibilidade de o aposentado que volta a trabalhar atualizar o valor do benefício acrescentando os anos de contribuição na nova função.
Um dos recursos, movido por aposentadas do Rio Grande do Sul, começou a ser julgado pelo tribunal em 2010. Na ocasião, o ministro relator, Marco Aurélio Mello, posicionou-se a favor do recálculo do benefício quando o aposentado volta a contribuir para a Previdência Social. Mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista.
Além desse processo, existe um recurso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contestando decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) favorável ao direito de um trabalhador renunciar à aposentadoria para garantir um benefício mais vantajoso. No caso, o trabalhador aposentou-se após 27 anos de contribuição. Mas voltou a trabalhar e contribuir para a Previdência.
Aposentados que trabalham mantêm expectativa sobre desaposentação (Foto: Matheus Tagé/DL)
Aposentados que trabalham mantêm expectativa sobre desaposentação (Foto: Matheus Tagé/DL)

A decisão do STF deverá servir de base para milhares de processos judiciais que tratam da desaposentação.
Governo está preocupado e vai acompanhar trâmite do projeto
A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que o governo vai acompanhar com atenção o projeto de lei que prevê a desaposentadoria. O texto, aprovado pelo Senado, permite aos contribuintes do Regime Geral de Previdência Social que se aposentaram por tempo de contribuição ou pelo critério da proporcionalidade requerer novo cálculo do benefício e optar pelo mais vantajoso, caso permaneçam na ativa.
Pela legislação atual, a Previdência Social não reconhece a renúncia de aposentadoria a esses beneficiários e mantém a contribuição ao INSS sem qualquer contrapartida.
Como foi aprovado de forma terminativa na Comissão de Assuntos Sociais, a proposta poderia seguir direto para a Câmara dos Deputados, sem necessidade dos senadores levarem a plenário. Porém, cabe recurso para que essa fase não seja dispensada e a ministra adiantou que isso será feito.
“Todo o debate vai ser feito durante a tramitação porque obviamente este procedimento não terá um impacto pequeno em termos de gastos da Previdência, portanto, terá que ser avaliado de maneira muito clara com suas consequências”, disse.
Ainda segundo Ideli, quando o Congresso aprova um projeto que tem impacto nos cofres públicos “obrigatoriamente tem que saber de onde vai sair o recurso”.
“Na minha avaliação, a Câmara (dos Deputados) tem todas as condições de fazer um aperfeiçoamento desse projeto e com isso ele retornaria ao Senado novamente”.

domingo, 14 de abril de 2013

Governo age para barrar revisão de aposentadoria

Brasília (AE) - O governo elevou o tom contra a proposta que promete elevar o valor da aposentadoria aos trabalhadores que voltem à ativa. O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o governo não apoia a proposta, aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Já o líder do governo na Casa, Eduardo Braga (PMDB-AM), apresentará um recurso para que o projeto, que iria direto para a Câmara, passe pelo crivo de mais duas comissões temáticas, o que atrasa a tramitação e permite organizar a base aliada para derrubar o projeto.
agência senadoBraga cita falhas no texto aprovado na semana passada e pede análise de impactos financeirosBraga cita falhas no texto aprovado na semana passada e pede análise de impactos financeiros

O recurso visa levar o texto para as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Assuntos Econômicos (CAE). O governo teme o impacto da medida nos cofres públicos. Segundo o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, uma eventual mudança representaria um custo adicional de R$ 70 bilhões para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

“Estamos pedindo um prazo para fazermos uma análise, portanto o governo não está apoiando, é preciso deixar bem claro isso, nós não temos como apoiar essa medida pela repercussão que ela tem nos cofres da Previdência. Então a posição do governo é de não apoiar a evolução dessa votação no Congresso”, afirmou Carvalho. “Temos de ter responsabilidade num tempo difícil como esse. Tudo aquilo que onera mais os cofres e particularmente a Previdência precisa da nossa parte um cuidado muito grande.”

Na quarta-feira passada,  a CAS aprovou um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) permitindo a aposentados pedir um recálculo do benefício se voltarem a trabalhar e contribuir com a Previdência A medida também impede aqueles que já voltaram à ativa de devolver ao INSS os valores já recebidos.

O senador Braga, porém, disse não ter ouvido do governo, em nenhum momento, que a intenção seja barrar a proposta em definitivo. “Não ouvi que não é para deixar passar. Queremos avaliar em profundidade. A avaliação do ministro da Previdência é que o governo não teria condições de arcar com o impacto provocado por essa medida”, ressaltou. 

Fazendo contas

O líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI), também destacou disse que o interesse do governo não é barrar a proposta e, sim, debatê-la com maior profundidade. “A ideia é discutir. Na verdade há um pedido do ministro da Previdência que ele precisa fazer algumas contas para que evite o desequilíbrio maior ainda na Previdência”, ponderou Dias. Assim que for apresentado, o recurso terá de ser votado em plenário.

Atualmente, cerca de 500 mil aposentados continuam ativos no Brasil - muitos deles tentam obter na Justiça o direito que o projeto tenta assegurar. Segundo especialistas, o benefício pode dobrar ou mesmo triplicar em alguns casos.

Especialistas destacam falhas no texto aprovado, como a não definição de um prazo para que o INSS revise a aposentadoria, após a renúncia do benefício. Outro vácuo apontado é o fato de o texto se referir apenas a aposentados que já trabalham, não detalhando os demais casos, como contribuintes da Previdência que ainda não se aposentaram. 

“O texto acabou sendo votado na CAS (Comissão de Assuntos Sociais), sem que todos os aspectos fossem analisados, o que cria uma insegurança não apenas tributária, mas jurídica, que o governo não pode permitir”, disse Braga.

O requerimento de Braga deve ser protocolado na Mesa do Senado entre a sexta-feira da próxima semana e a segunda-feira, dia 22 de abril. A CCJ deve analisar sua constitucionalidade, e a CAE avaliar os impactos financeiros. 

Fonte: http://tribunadonorte.com.br/noticia/governo-age-para-barrar-revisao-de-aposentadoria/247656

Injustiça na aposentadoria

Ruy Martins Altenfelder Silva
Não é de hoje que o interesse público se confunde principalmente com o interesse dos detentores do poder, políticos e burocratas, que, enquistados no aparato do Estado, querem estabilidade e bons proventos, sendo o serviço à sociedade um mero efeito colateral. A constatação é do jurista Ives Gandra Martins, que credita a rejeição social aos tributos, ao fato de que todos sabem que eles se destinam mais a manter os privilégios dos governantes do que a financiar os serviços públicos. Para ele, um exemplo é a existência de dois tipos bem diferentes de aposentadorias.  

Privilegiando o que chama de super-elite nacional, o déficit gerado para atender a menos de um milhão de servidores superou os 50 bilhões de reais em 2011, contra o os pouco mais 40 bilhões provocado pelos pagamentos a 24 milhões de “cidadãos de segunda categoria – o povo”. O peso das aposentadorias dos servidores também onera as finanças das instituições públicas que administram orçamento próprio. É o caso da Universidade de São Paulo (USP), cujo reitor João Grandino Rodas veio recentemente a público para informar que o gasto com pessoal (ativos e elevado número de inativos) consome 93% de um orçamento de 4,3 bilhões de reais, pouco sobrando para investimentos em outras áreas.  

Até agora, as soluções foram de pouca valia, apenas atenuando o problema. Por mais que se comprima o valor dos benefícios aos cidadãos comuns (hoje variando de 678 a 4.157,05 reais) e dos servidores, o sistema previdenciário peca por outros erros, como a ampliação do leque de beneficiários sem a contrapartida do aumento da receita (gerada pelas cotas pagas pela empresa e pelo trabalhador)  – isso sem falar na destinação de seus recursos para outros fins, o que representa uma sangria, mesmo que a aplicação fosse legítima. 

As despesas incharam com a incorporação do seguro-desemprego; o direito de ingresso no sistema a qualquer cidadão, mesmo que nunca tenha recolhido a contribuição; a extinção das diferenças entre trabalhadores rurais e urbanos. Não se pode negar a justiça dessas medidas. Mas pode-se questionar se tais recursos não deveriam sair de outras fontes, como acontece com os recursos que financiam programas sociais do governo, entre os quais estão o Bolsa-Família, o Brasil Carinhoso e outros. Fica aqui a sugestão. 

Ruy Martins Altenfelder Silva, é presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas e do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp)

Aposentadoria: você já começou a pensar nisso?


Estudo mostra que mais da metade dos brasileiros fazem planejamento inadequado. Outros sabem que poupança não é suficiente e há quem sequer se prepare para se aposentar


Júlio Ribeiro aproveitou a experiência em banco e escolheu o mercado de ações para investir. Foto:Paulo Paiva/DP/D.A Press
Júlio Ribeiro aproveitou a experiência em banco e escolheu o mercado de ações para investir. Foto:Paulo Paiva/DP/D.A Press
Você pensa na aposentadoria? Se planeja para ter renda suficiente quando deixar o batente? O estudo do banco HSBC - O futuro da aposentadoria - Uma nova realidade -  feito em 15 países, revela que o brasileiro estima viver 23 anos após se aposentar, mas reconhece que só terá recursos para se sustentar por 12 anos. A maioria prioriza a poupança para as férias a juntar dinheiro para pagar as contas no futuro. A perspectiva do consumo imediato se sobrepõe ao planejamento financeiro das famílias. O resultado é a queda do padrão de vida quando as pessoas mais precisam de tranquilidade.

O estudo do HSBC ouviu mais de 125 mil pessoas em 15 países. A amostra do Brasil incluiu 1.000 participantes. Mais da metade (59%) dos brasileiros reconhecem que fazem planejamento inadequado para ter uma aposentadoria confortável. Outra fatia (41%) diz que a poupança é insuficiente para bancar o futuro. Há outro grupo expressivo (19%) que sequer se prepara para pendurar as chuteiras. Diante da imprevidência, fica um "buraco" em média de 11 anos. De onde essas pessoas vão tirar recursos para viver?
Confira o estudo completo do HSB - O Futuro da Aposentadoria
"Hoje a nossa sociedade tem gastos e hábitos da sociedade européia e canadense com padrão de renda dos asiáticos, cuja população é mais previdente do que a brasileira", constata o superintendente executivo de Gestão de Patrimônio do HSBC, Gilberto Poso. O executivo cita a forma empírica como o brasileiro escolhe a poupança para a viagem de férias (49%) em detrimento da reserva de dinheiro para a aposentadoria (43%). O comportamento é oposto dos demais países incluídos na amostra. Entre eles, França, Canadá, Reino Unidos, Autrália, México, China e Índia.

Nem tudo está perdido. Um ponto positivo da pesquisa é mostrar que apenas 37% dos brasileiros esperam contar com a renda do INSS quando se aposentar. As pessoas na faixa etária entre 25 e 35 anos têm expectativa menor em relação à renda da previdência oficial. "Mostra que os profissionais mais jovens já pensam em alternativas para a aposentadoria. Esse comportamento é positivo porque vai desafogar as contas da previdência", destaca Poso.  
 
O economista Júlio Ribeiro de Almeida, 34 anos, escolheu o mercado de ações para investir. Aproveitou a experiência de oito anos num banco de grande porte para optar pelo investimento de longo prazo. Há poucos meses ele abriu uma empresa e aposta as fichas no novo negócio. "No momento, invisto na minha empresa, mas acho importante poupar para a aposentadoria", diz.

Para o consultor financeiro Roberto Ferreira, professor de economia da Faculdade Boa Viagem, o brasileiro só pensa na aposentadoria quando falta dinheiro para as despesas no futuro. O mantra é consumir no presente. "Falta educação financeira não só nas escolas, mas dentro da própria casa", argumenta.

O professor de Planejamento e Gestão Organizacional e Finanças da Faculdade Guararapes, Marcopolo Marinho, destaca a importância de planejar o futuro. "Não existe uma idade ideal para começar. Quanto mais cedo melhor". O primeiro passo é fazer um orçamento mensal para se livrar das despesas que tiram a capacidade de poupar.

O próximo passo é definir os tipos de investimentos adaptados ao perfil do bolso. O especialista indica a previdência privada como a modalidade mais simples. Outra possibilidade são os títulos públicos. Sem esquecer a velha poupança. Mesmo com menor rendimento ainda é a preferida dos brasileiros.    

Outra dica é a diversificação dos investimentos. O professor da Faculdade Guararapes diz que após a criação do Fundo Garantidor de Crédito - uma espécie de seguro para as aplicações financeiras - os investimentos até R$ 70 mil são garantidos pelo governo federal.

INSS diz que não tem grana para trocar aposentadorias

Previdência Social vai mostrar que a desaposentação é um verdadeiro equívoco, disse o secretário da pasta


 O ex-ministro e hoje secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, afirmou ontem que o governo não poupará esforços para esclarecer no Senado que a aprovação da troca de aposentadoria é um verdadeiro equívoco.
"Nosso sistema de Previdência é de repartição, significa que ele é solidário. Quem trabalha contribui para pagar a aposentadoria do aposentado. O contrário disso é a capitalização. O Congresso não pode olhar essa questão enviesada como está fazendo. Isso é sério e muito grave, o que compromete o nosso sistema", disse o secretário durante a inauguração de uma agência do INSS em Piedade (100 km de SP).
Enfático, Gabas ainda se valeu da expressão "quem vai pagar essa conta?", em referência aos brasileiros que se aposentam cedo e querem trocar de benefício.

Fonte: Agora São Paulo

Brasileiros residentes no Canadá podem ter aposentadoria facilitada


A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) aprovou o parecer favorável do deputado Hugo Napoleão (PI) à Mensagem 55/13, do Poder Executivo, que relata o acordo previdenciário entre Brasil e Canadá, facilitando a obtenção de aposentadoria para imigrantes de ambos os países.


Napoleão explica que a medida reflete a disposição do Governo de expandir acordos de previdência social com países que possuem um grande número de brasileiros residentes em seus territórios. Para ele, o aumento dos movimentos migratórios tem dificultado a aposentadoria.

“Essa grande movimentação faz com que muitos trabalhadores fracionem sua carreira profissional, contribuindo para sistemas previdenciários distintos. Muitas vezes, eles acabam não completando os requisitos para obterem a aposentadoria em nenhum dos países”, analisou.

De acordo a proposta, os imigrantes passam a ter o direito de receber pelo período de contribuição efetuado no país estrangeiro.  Napoleão diz que a medida permite que os trabalhadores somem os saldos previdenciários de ambos as nações, atingindo o mínimo necessário para aposentarem. Cada país pagará sua parte em moeda local. “Esses instrumentos destinam-se a corrigir possíveis injustiças”, destacou.

O deputado afirmou ainda que a iniciativa servirá também para aprofundar as relações entre Brasil e Canadá.  Atualmente, segundos dados do Governo Federal, quase 30 mil brasileiros residem no país.

A proposta segue para análise da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara. Se aprovado pelo Congresso, o acordo poderá ser ratificado e promulgado pela Presidência da República.