sexta-feira, 20 de abril de 2012

Aposentadoria feliz envolve sexo ao casal


Sexo é um dos segredos para uma aposentadoria feliz, diz estudo


Do total, 80% dos casais que faziam sexo, pelo menos, uma vez por mês se disseram 'muito felizes'. Foto: Getty Images
Do total, 80% dos casais que faziam sexo, pelo menos, uma vez por mês se disseram 'muito felizes'
Foto: Getty Images

A tão desejada aposentadoria nem sempre corresponde ao esperado. Muitos que atingem essa etapa têm dificuldades para se adaptar à nova rotina, sentem falta de compromissos e não conseguem realizar os sonhos que cultivaram quando mais jovens. Pois uma pesquisa aponta que um dos principais pontos para uma vida feliz na terceira idade aposentada é a prática sexual. Fazer sexo foi associado à felicidade em geral e também à felicidade na vida a dois.
Indivíduos casados com mais de 65 anos foram entrevistados em um levantamento feito pela Florida Agricultural and Mechanical University, nos Estados Unidos, e os que revelaram manter vida sexual ativa se mostraram 50% mais felizes do que os que não davam tanta importância ao assunto.
E não é preciso uma frequência muito grande para se obter os resultados. Os que se disseram felizes haviam praticado mais de uma vez no ano anterior à pesquisa. "Esse estudo vai ajudar a ampliar as linhas de comunicação sobre abordagens de como resolver questões que limitam ou impedem adultos mais velhos de manter uma vida sexual ativa", disse Adreinne Jackson, que conduziu a pesquisa, ao site Female First.

Fonte: http://mulher.terra.com.br/noticias/0,,OI5480723-EI16612,00-Sexo+e+um+dos+segredos+para+uma+aposentadoria+feliz+diz+estudo.html


ESTÁ CADA VEZ MAIS DIFÍCIL SE APOSENTAR


Apesar de o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) garantir que, para se aposentar, o trabalhador não precisa mais levar uma pilha de documentos às agências, com o intuito de provar a condição de filiado e o tempo de contribuição à Previdência Social, é bom não sair por aí jogando fora papéis que comprovem a vida laboral. Nos casos em que o tempo de serviço ou de contribuição, mesmo que de um determinado período, não constar no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), o ônus da prova, conforme determina a legislação, é do trabalhador.
Segundo o Ministério da Previdência, as pessoas que têm uma vida contínua no mercado trabalho são as que menos enfrentam problemas para se aposentar ou ter acesso a pensões. Isso, é claro, se as empresas para as quais elas trabalharam tiverem repassado, corretamente, as contribuições ao INSS. É obrigação das firmas manter todos os dados atualizados, inclusive os do salário de contribuição, base de cálculo do valor dos benefícios a serem concedidos. Com tudo dentro do sistema informatizado da Previdência, as decisões são mais rápidas.
A situação muda completamente quando os dados constantes do sistema do inss apresentam inconsistências, que vão desde lacunas da vida laboral — no cadastro não consta, por exemplo, um determinado período que a pessoa alega ter trabalhado — à remuneração que a pessoa diz ter recebido. Nesses casos, caberá a quem está pedindo a aposentadoria, ou seja, ao segurado, apresentar provas à Previdência, como a carteira de trabalho, os contracheques, os recibos de prestação de serviço e, em alguns casos, elementos complementares, como testemunhas, de preferência antigos colegas de firma. Na pior das hipóteses, o trabalhador terá de recorrer à Justiça.
Esse tipo de transtorno está ocorrendo, constantemente, com pessoas que trabalharam em empresas que faliram. Muitas descontaram de seus empregados os valores devidos ao INSS, mas simplesmente não repassaram os recursos ao governo. Mesmo isso sendo um crime conhecido como apropriação indébita, a pessoa que está prestes a se retirar do mercado de trabalho tem que comprovar o vínculo empregatício e as contribuições previdenciárias. Por isso, a importância de manter intacta a documentação da vida laboral.
O gerente executivo do inss no Distrito Federal, Antônio Queiroz Galvão, ensina que, para não terem surpresas desagradáveis quando forem buscar seus direitos, os segurados podem e devem se antecipar. Basta agendar, pela internet ou pela central 135 da Previdência Social, uma ida a uma agência do instituto e verificar a regularidade dos dados cadastrais. Para quem é cliente do Banco do Brasil, o extrato previdenciário está disponível em tempo real.
A Previdência não facilita, sobretudo no caso dos trabalhadores que não conseguem apresentar a carteira de trabalho, com o registro de todos os empregos. Segundo o ministério, a ausência total de documentos impede a abertura do processamento de Justificação Administrativa, por meio do qual se obtém a aposentadoria ou uma pensão. "Se não houver a apresentação do vínculo a alguma empresa que o requerente alega ter existido ( visto que não possui qualquer registro que demonstre a relação de emprego), a concessão de benefícios é negada", informa o órgão.
Junta comercial
Para comprovar um vínculo de trabalho não constante no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), a Previdência Social aceita qualquer documento que assegure que a empresa na qual o segurado diz ter trabalhado existia. Isso vale, principalmente, nos casos em que as companhias faliram e desapareceram do mercado. O inss assegura que as firmas deixam rastros e as provas de existência podem ser obtidas na junta comercial do município em que elas funcionavam.

  Se está difícil de aposentar, procure-nos.  

Aposentar-se com R$ 2.500 ao mês é mais difícil do que parece


Aposentadoria

Aposentadoria com gostinho de férias é só para quem fizer algum tipo de poupança complementar


Diretor do Itaú diz que quase todos os brasileiros vão receber muito menos que o teto de R$ 3.916,20 do INSS e explica o que fazer para garantir uma renda mais gorda.


São Paulo – A legislação brasileira estabelece que o teto das aposentadorias pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aos trabalhadores da iniciativa privada é de 3.916,20 reais por mês, mas, para Osvaldo Nascimento, diretor-executivo do Itaú para previdência e investimentos de pessoas físicas, o que a imensa maioria dos brasileiros vai receber é muito menos do que isso. Devido aos diversos redutores estabelecidos pela mesma legislação, pouquíssima gente vai ganhar mais do que 2.500 reais quando se aposentar.
Para entender os motivos que levam ao achatamento das aposentadorias, é preciso compreender, em primeiro lugar, as regras do INSS para a concessão dos benefícios. A legislação brasileira estabelece que homens e mulheres podem se aposentar com ao menos 35 e 30 anos de contribuição à Previdência, respectivamente. O benefício pode ser concedido mesmo para uma trabalhadora de apenas 45 anos que trabalhou e contribuiu desde os 15, já que não há uma idade mínima para aposentadoria como em outros países.
Nesse caso, entretanto, a aposentadoria será reduzida pelo chamado fator previdenciário. Na prática, o fator previdenciário pune quem para de trabalhar muito cedo porque, quanto mais jovem é a pessoa, maior será a redução. Nesse caso, o tempo também joga contra os assalariados. Para tornar a definição de jovem mais objetiva, o cálculo do fator previdenciário leva em consideração a expectativa média de vida dos brasileiros. Então, quanto mais as pessoas vivem (e a cada ano elas vivem mais), maior será o fator de redução dos benefícios.
A outra opção para se aposentar no Brasil é por idade. Brasileiras com mais de 60 anos têm direito ao benefício ao parar de trabalhar enquanto o limite para os brasileiros é de 65 anos. No entanto, todas as pessoas que se aposentam por idade e contribuíram menos de 30 anos com a Previdência Social terão um redutor no benefício.
A regra mais difícil de ser atendida para obter uma aposentadoria pelo teto, no entanto, é a que estabelece a forma de cálculo do benefício. Só tem direito a uma aposentadoria de 3.916,20 reais quem tiver arcado com o pagamento do valor máximo mensal de contribuição ao INSS (hoje 430,78 reais para trabalhadores da iniciativa privada) durante 80% da vida ativa.
Isso significa que mesmo quem ganha um salário alto hoje não ganhará o teto do INSS se tiver recebido uma remuneração baixa durante muitos anos. “É por tudo isso que pouquíssimos trabalhadores vão se aposentar com uma renda superior a 2.500 reais por mês se não complementarem a aposentadoria”, diz Nascimento.

Tempo de trabalho e tempo livre



De acordo com pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ao longo das décadas de 1990 e 2000, houve uma redução do tempo dedicado ao trabalho no Brasil. Ao considerar apenas as ocupações únicas ou principais, a proporção populacional    que excede o limite constitucional de 44 horas semanais baixa de 39,4% em 1992 para 38,6% em 2001, assim como encolhe para 29,3% em 2009.
Mas é importante destacar, em linhas gerais, desenhadas a partir das informações da Pnad/IBGE são de redução da relevância do tempo de trabalho na vida diária da população brasileira. Seja quando se leva em conta todas as ocupações, seja quando se toma apenas as ações únicas ou principais, há uma diminuição das situações de excesso de trabalho (compreendidas como aquelas em que se trabalha 45 horas ou mais por semana).
No entanto, não quer dizer que a população ocupada está tendo tempo livre, segundo a pesquisa, quase metade dos entrevistados relata que, mesmo quando é alcançado o limite da jornada diária, o trabalho continua a lhes acompanhar, até mesmo em suas casas. Isso por conta da necessidade de permanecer em prontidão/sobreaviso, por causa da realização de teletrabalho (por internet, celular etc.), por conta da necessidade de preparação para o trabalho do dia seguinte e assim por diante.
Ou seja, mesmo com a maior parte da população trabalhando menos a partir dos anos 2000, há um “esmaecimento” dos limites entre tempo de trabalho e tempo livre, que faz com que este seja gradualmente convertido no primeiro – sem que isto seja registrado em levantamentos como a Pnad/IBGE.
Com isso, a perda de noção de tempo livre é tamanha, pois quando os entrevistados são questionados sobre o que fariam caso aumentasse o seu tempo livre apenas 6% afirmaram que praticariam algum tipo de esporte ou uma atividade de lazer e 36% não sentiriam diferença, pois não cumprem jornada regular de trabalho e 2% dedicaria seu tempo livre para fazer hora extra. A pesquisa do IPEA ouviu 3.796 pessoas residentes em áreas urbanas, das cinco regiões do país.



Revisão de benefícios


                 

O Governo Federal propôs, por meio da Lei nº 10.999, de 15 de dezembro de 2004, acordo para revisão dos beneficios previdenciários concedidos com data de início posterior a fevereiro de 1994. A revisão consiste em recalcular o salário de benefício original sobre os salários de contribuição anteriores a março de 1994, mediante aplicação do percentual de 39,67%, referente ao Índice de Reajuste do Salário Mínimo (IRSM) do mês de fevereiro de 1994.

  • Entenda a revisão
    Antes da Emenda Constitucional 20, de 1998, e da Lei 9.876, de 1999, que instituiu o fator previdenciário, o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo INSS, calculava o valor dos benefícios a serem concedidos com base na média dos últimos 36 salários-de-contribuição do segurado, corrigidos monetariamente.

    O Índice usado para fazer a correção dessas remunerações variou ao longo dos anos 90, tendo sido aplicados o INPC, IPC-r, IGP-DI dentre outros. No período compreendido entre janeiro de 1993 a julho de 1994, vigorou o Índice de Reajuste do Salário Mínimo (IRSM), de acordo com a Lei 8.542 de 1992.

    No caso dos benefícios concedidos no período compreendido entre fevereiro de 1994 e março de 1997, o INSS utilizou a variação do IRSM para atualização dos salários de contribuição apenas até janeiro de 1994 e converteu, em seguida, os valores então atualizados, para a Unidade de Referência de Valor (URV), instituída em 28 de fevereiro daquele ano.

    No entendimento da Justiça, o procedimento adotado pelo INSS prejudicou os segurados em razão de não ter sido utilizado o IRSM de fevereiro de 1994, cujo índice é de 39,67%. Isso teria reduzido a renda mensal inicial dos benefícios. A Lei nº 10.999 teve por objetivo reparar esse erro.

    O número de benefícios prejudicados chegou a 1.883.148, ressaltando-se que não se trata do número de beneficiários, mas, sim, do número de benefícios porque, alguns casos, um mesmo segurado pode receber mais de um benefício, como aposentadoria e pensão, por exemplo, ou nos casos em que uma aposentadoria foi desmembrada em várias pensões. Os dos valores atrasados (estoque) serão corrigidos pelo INPC e o montante poderá chegar a R$ 12,3 bilhões.

    Desse total de benefícios prejudicados, 1,58 milhão ainda estão ativos e serão corrigidos a partir da competência de agosto de 2004, cujo pagamento é feito em setembro de 2004, de acordo com número final do benefício e da adesão ao acordo. A correção desses benefícios ativos daqui para frente (fluxo) demandará R$ 2,31 bilhões anuais.

    Valores atrasados
    O pagamento dos valores atrasados começará em janeiro de 2005. Para os segurados que têm ação judicial em curso será necessário assinar o Termo de Transação Judicial e, neste caso, o prazo total para pagamento será de no máximo seis anos. Quem não tem ação na justiça vai receber os atrasados em até oito anos.

    O número de parcelas mensais para conclusão do pagamento, entretanto, vai privilegiar a idade do segurado e o valor a receber. Ou seja, quem for mais idoso e tiver quantia menor a receber, será pago em menor número de parcelas. A idade a ser considerada será aquela da data da publicação da Lei nº 10.999. Veja quadros abaixo:

    Para quem tem ação judicial
    Até R$ 2.000,00De R$ 2.000,01 a R$ 5.000,00R$ 5000,01 a R$ 7.200,00Acima de R$ 7.200,01
    acima de 70 anos12 parcelas24 parcelas24 parcelas36 parcelas
    de 65 a 69 anos24 parcelas36 parcelas48 parcelas60 parcelas
    de 60 a 64 anos36 parcelas48 parcelas60 parcelas72 parcelas
    abaixo de 59 anos48 parcelas60 parcelas72 parcelas72 parcelas
    Para quem não tem ação judicial
    Até R$ 2.000,00De R$ 2.000,01 a R$ 5.000,00R$ 5000,01 a R$ 7.200,00Acima de R$ 7.200,01
    acima de 70 anos24 parcelas36 parcelas36 parcelas36 parcelas
    de 65 a 69 anos36 parcelas48 parcelas60 parcelas72 parcelas
    de 60 a 64 anos48 parcelas60 parcelas72 parcelas84 parcelas
    abaixo de 59 anos60 parcelas72 parcelas84 parcelas96 parcelas
    Todos os segurados que aderirem ao acordo vão receber um terço do total a que têm direito até a metade das parcelas. Os outros dois terços serão pagos a partir da segunda metade das parcelas o que, conseqüentemente, elevará o valor das parcelas da segunda metade do prazo. A Lei nº 10.999/2004 prevê, também, que a União possa, de acordo com a disponibilidade orçamentária, antecipar o pagamento dos atrasados. Todos os valores serão corrigidos pelo INPC.

    Segurados falecidos
    No caso de segurados falecidos, e cujos benefícios já foram extintos, os termos poderão ser firmados por todos os seus dependentes ou sucessivos previstos na lei civil, indicados em alvará judicial, independentemente de inventário ou arrolamento. No caso de mais de um dependente, o recebimento dos atrasados estará de acordo com a idade do dependente mais idoso.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

7 razões para trabalhar após se aposentar

                        

Foi-se o tempo em que se aposentar significava trocar o batente

pelo ócio. Continuar trabalhando é bom para o corpo e a mente

Reportagem extraída da Revista Veja, 15/07/2009
Roberto Setton
Raul Boesel, ex-piloto de Fórmula Indy, deixou as pistas de corrida e se tornou DJ: "Emocionante como correr as 500 Milhas de Indianápolis"

A imagem convencional do aposentado que passa os dias descansando, vendo TV e improvisando pequenas atividades para matar o tempo está se tornando uma fotografia desbotada do passado. Com o aumento da expectativa de vida e os avanços da medicina, a maior parte dos brasileiros que hoje chegam à idade de se aposentar forma um contingente de pessoas bem-dispostas, saudáveis e com muito a oferecer ainda à sociedade. Passar o dia de pijama deixou de ser um objetivo na vida da maioria das pessoas – e os estudos científicos comprovam que essa é a melhor opção para uma vida longa e com mais qualidade. Prosseguir trabalhando após a aposentadoria traz benefícios de ordem física, psicológica e prática. O mais evidente deles é engordar o orçamento mensal. Mesmo que a remuneração na nova atividade não seja equivalente à recebida no auge da carreira, manter-se ativo faz com que o aposentado continue a se sentir útil e engajado no mundo. Além disso, segundo estudos médicos, manter a mente ativa é a melhor prevenção contra a diminuição das capacidades cognitivas do cérebro e contra doenças degenerativas como Alzheimer.
A seguir, VEJA apresenta uma lista de bons motivos para evitar a aposentadoria, elaborada com a ajuda de especialistas de diversas áreas.

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 É A CHANCE DE MUDAR DE PROFISSÃO
Stefan

Ao longo da vida, muitos projetos permanecem guardados por falta de tempo. O envolvimento integral com uma profissão torna impossível realizá-los. Os cabelos grisalhos podem ser a grande chance de pôr esses sonhos em prática. Uma pesquisa recente encomendada pela MetLife, empresa americana de previdência privada, mostra que a vontade de experimentar um novo tipo de trabalho é o principal motivo pelo qual aposentados entre 60 e 65 anos voltam à ativa nos Estados Unidos. "No Brasil não é diferente", diz Matilde Berna, diretora de transição de carreiras da consultoria profissional Right Management. "Muitos transformam um hobby antigo em trabalho", ela conclui. O curitibano Raul Boesel, ex-astro da Fórmula Indy, 51 anos, aposentou-se das pistas de corrida para estrear nas pistas das baladas noturnas. Aos 45 anos, Boesel começou a frequentar festas de música eletrônica e se apaixonou por esse estilo musical. Encantou-se com Ibiza, na Espanha, a meca dos DJs, e desde então vai todos os anos para lá. Há dois anos, virou DJ profissional e apresenta-se em casas noturnas todo fim de semana. Como corredor, Boesel estava acostumado a acordar às 7 e meia da manhã. Hoje, é comum que chegue do trabalho a essa hora. "Só me falta tocar em Ibiza", ele diz. "Deve ser emocionante como correr as 500 Milhas de Indianápolis."

MANTER A RENDA MENSAL
Para quem não tem poupança ou plano de previdência privada, a aposentadoria pode representar uma queda significativa no padrão de vida. Continuar trabalhando, desde que se tenha saúde e disposição, é uma boa saída para complementar o orçamento. "Muita gente pensa que, quando se aposentar, vai gastar menos e, portanto, precisará de menos dinheiro. Mas algumas despesas aumentam com a idade, como os gastos com saúde", diz José Roberto Savoia, professor de finanças da Universidade de São Paulo. A professora paulista Vera Bruschi, de 55 anos, perdeu 40% de seu rendimento quando se aposentou, há dez anos. Prevendo a redução, decidiu investir na carreira. Fez um mestrado e hoje dá aulas de pedagogia. "Meus filhos ainda não eram independentes e, se não continuasse a trabalhar, não poderia ajudá-los com a faculdade", ela conta. Com a renda extra – o salário novo é o dobro do valor da aposentadoria –, ela planeja comprar um apartamento. "Se eu contasse apenas com o dinheiro do INSS, teria de me conformar com uma vida muito simples", conclui Vera.
Oscar Cabral
O engenheiro gaúcho Paulo Bello (com a mulher, Maria Augusta) presta consultoria e mantém uma pousada na praia: "Assim, continuo a encontrar amigos com interesses comuns"

3 NÃO CHATEAR A FAMÍLIA
Manter alguma atividade profissional, mesmo diferente da que se teve durante toda a vida, evita que se passe mais tempo com a família do que é aconselhável. Muitos aposentados tornam mais frequentes as visitas à casa dos filhos e netos. O risco é que, baseados em sua experiência de vida, eles acabem interferindo indevidamente na rotina familiar e na educação das crianças. "Aproveitar a companhia dos filhos adultos e dos netos que chegam pode ser muito gostoso, mas é preciso respeitar o espaço deles", adverte o psicólogo Hélio Deliberador, da PUC de São Paulo. Estadas longas na casa dos filhos costumam ser especialmente problemáticas. Muitos pais encontram dificuldade em entender que a casa dos filhos tem uma dinâmica própria. É mais provável que sua interferência produza – e não solucione – conflitos. Muitas vezes o desentendimento se instala na própria casa do aposentado. O cônjuge não está acostumado a conviver diariamente por tanto tempo com ele. Rusgas que antes eram esquecidas ao longo do período em que o marido ou a esposa estava no escritório se reforçam.

4 NÃO PERDER SUA TURMA
Quem se aposenta se afasta dos colegas de trabalho de um dia para o outro. Isso significa perder os interlocutores com quem mais se tem afinidade de assuntos e interesses comuns. É questão de tempo para que o aposentado sinta falta das conversas sobre temas relacionados à profissão que exerceu durante décadas. O engenheiro gaúcho Paulo Bello, de 66 anos, e sua mulher, Maria Augusta, moravam nos Estados Unidos e costumavam vir em férias a Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Quando Paulo se aposentou, passou a prestar consultoria em sua área, para não se afastar totalmente dos colegas de profissão. "Com as consultorias, eu me mantenho atualizado, sem ter de enfrentar a rotina massacrante de trabalho das grandes empresas", ele diz. Além disso, o casal transformou a casa de Angra numa pousada, na qual hospeda os amigos de longa data – inclusive antigos colegas de Paulo. Diz Maria Augusta: "Acho que não vamos recuperar o investimento, mas não importa. O meu retorno é em vitalidade. Não quero ficar parada".
Oscar Cabral
O carioca Sohaku Bastos, professor de acupuntura e caratê: "Se parar de trabalhar, fico deprimido e adoeço"

5 TRABALHAR FAZ BEM À SAÚDE
A ideia de que se aposentar faz bem à saúde porque propicia mais tempo para o descanso é ultrapassada. Hoje a ciência tem como certo que manter o cérebro ativo é essencial para preservar suas funções cognitivas. "Os circuitos do cérebro que são exercitados constantemente continuam saudáveis", explica a neurocientista Suzana Herculano, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O carioca Sohaku Bastos, de 61 anos, acredita nisso. Especializado em acupuntura, durante décadas ele trabalhou doze horas por dia.Viajou diversas vezes a países do Oriente para se aperfeiçoar e chegou a ter como cliente a família do presidente do Sri Lanka. Seus serviços foram tão apreciados que hoje ele é cônsul daquele país no Brasil. Nos últimos anos, Bastos diminuiu o ritmo de trabalho, mas nem pensa em se aposentar. Ele mantém uma clínica no Rio de Janeiro onde, além de acupuntura, ministra caratê e dá orientação alimentar. "Se parar de trabalhar, fico deprimido e adoeço", diz Bastos.

EVITAR A DEPRESSÃO
Ao se distanciar do ambiente de trabalho e da massa de novas informações que ele proporciona no dia a dia, o aposentado pode se sentir alijado da sociedade. Ler jornais ou assistir à TV dá a sensação de que, enquanto o mundo avança, ele se tornou um personagem do passado. Segundo os especialistas, esse tipo de sentimento é uma porta aberta para a depressão. "O aposentado corre o risco de se sentir velho e inútil, o que ele não é", diz a psicóloga Anete Farina, da Universidade de São Paulo. Uma nova atividade, mesmo que não traga retorno financeiro, pode evitar essa armadilha. Após trabalhar por mais de quatro décadas num dos maiores escritórios de advocacia do país, a advogada paulista Clemência Wolthers, 69 anos, nem pensou em descansar quando se aposentou. Montou um escritório em casa. Hoje representa uma organização de advogados, é conselheira da OAB, dá palestras e frequenta congressos sobre direito. Diz Clemência: "Consigo dividir tudo o que aprendi nesses anos e me mantenho a par do que acontece. As mulheres de minha geração cresceram achando que virariam vovozinhas simpáticas. Eu não virei".

NÃO DESPERDIÇAR A EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
Muita gente quer largar o trabalho por estar farta de horários, chefes e reuniões. Mas jogar fora a experiência de uma vida em determinado ramo profissional é um desperdício. O mais lógico é tirar partido desse conhecimento acumulado para ter horários mais flexíveis e agenda menos apertada. O primeiro passo é descobrir como fazer isso. "Não se deve pensar em quanto se vai ganhar, e sim em que áreas é possível ser produtivo", aconselha Matilde Berna, da consultoria Right Management. Isso porque dificilmente se conseguem rendimentos iguais aos do tempo em que se estava na ativa. Abrir uma consultoria ou prestar serviços para a antiga empresa são as alternativas mais comuns, mas não as únicas. Quando decidiu se aposentar, aos 56 anos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a psicóloga Malvine Zalcberg começou a dar palestras sobre psicanálise em centros culturais. Hoje viaja frequentemente pelo país para encontrar suas plateias. Dedicou-se também a escrever livros sobre o assunto – já está no terceiro. "Eu me aposentei de um trabalho, mas não da vida. Vejo essa fase como um momento de renovação", afirma Malvine.

Fabiano Accorsi
A advogada paulista Clemência Wolthers dá palestras e vai a congressos para se manter atualizada: "Estou a par de tudo o que acontece na profissão"